terça-feira, 3 de maio de 2016

BENDITA ARTE


O artigo de Carolina Vila Nova, fui publicado em Artes e ideias. Diante da simplicidade e clareza da definição de arte que ela nos apresenta,resolvi compartilhar na íntegra com vocês o texto,principalmente com meus alunos do 2º ano,da Escola Estadual de Ensino Médio Zacarias de Assunção,cujo tema vem sendo debate de nossas aulas.

A ARTE
O que é realmente a "Arte"? Uma pintura? Uma fotografia? Um texto?Arte é aquilo que há de mais humano em nós mesmos, a dor de uma fração de segundo, que escapa e se manifesta através dela, nos salvando de todo mal que nos aflige.Arte é aquilo que nos salva das dores do mundo. E nos salva de nós mesmos!


 

Nietzsche já dizia: “A arte existe para que a realidade não nos destrua”. Num mundo onde por todos os lados se vê injustiça, aprendemos com o dia-a-dia, mesmo de forma inconsciente, a ignorar os seus males: a fome, a miséria, a violência e as tantas mortes sem razão.

Ainda que se consiga escapar dos problemas mais graves como os acima citados, vivemos sob a ameaça constante de nossa própria vulnerabilidade: a nossa fragilidade humana. Corpo e mente numa constância de incertezas. Desde cedo vivendo nos moldes ditados pela sociedade, vamos à escola, para num futuro muito próximo aprendermos uma profissão e trabalhar. Habitamos um mundo que não é só nosso, e estamos sim abaixo de suas regras. Muito do que pensamos escolher, nos foi na verdade imposto, com um pequeno leque de escolhas, que só mascara a realidade que nos permeia.

Convencidos pela lei da sobrevivência, a maioria se ajusta aos padrões da sociedade, permitindo a continuidade de nós mesmos. Entre uma fase e outra da vida, nos assombram os conceitos de liberdade, amor, satisfação, e felicidade. Pobres seres humanos, buscamos o sentido da vida no pouco que conseguimos entender. Sem saber realmente de onde viemos e para onde vamos, nos contentamos com a esperança que a fé e o amor nos trazem.

Se não bastassem as dificuldades de um mundo caótico e mal ajustado, também sofremos os males de nossa consciência. Perguntas sem respostas, sentimentos que nos aprisionam como o medo, insegurança, e tantas necessidades: dinheiro, família, trabalho, amor. Como listar as prioridades sem fim, necessárias a uma vida digna e feliz? Somos humanos e não somos exatos, mas sociais e emocionais.

Educação e arte tem sido a resposta para tantos males que nos acompanham uma vida inteira. Para a falta de amor: arte! Para a dor: arte! Para a própria educação: arte!

Arte não é apenas uma obra. A arte é a manifestação do humano, de todas as suas dores, da falta de respostas que se carrega, da morte eminente a qualquer hora. Arte é a válvula de escape da vida e de todo sofrer que lhe pertence. Arte é uma pintura, uma música, uma poesia. Arte é história, personagem, uma ideia que surgiu de um minúsculo ponto de partida, de um segundo de dor ou de amor, que se transformou em algo eterno e gigantesco.

Arte não tem que ser entendida. Arte é sensibilidade. É o se enxergar, perceber o outro e ainda mais: se ver e se sentir no outro. A arte é aquilo que lhe toca de alguma forma. Uma flor num quadro qualquer, o ritmo de uma música que emociona, as palavras de um texto que instigam o seu pensar. A arte é o sentir e expressar de um, fazendo o sentir e o refletir de outro.

Arte não tem preço, não tem regras. Única como seus artistas, reflete a intensidade da vida. A arte não resolve nossas dúvidas, nem os problemas do mundo, mas nos tornam seres melhores através de tudo que ela proporciona. Aprendemos com ela a suportar a realidade cruel de nossa própria fragilidade. A arte nos salva das dores desse mundo. E nos salva de nós mesmos!

E precisa dizer mais alguma coisa?

                    Só que encontrei em http://obviousmag.org/search.html?q=arte





sábado, 9 de abril de 2016

O tempo

Um autor desconhecido escreveu certa vez que a alegria, a tristeza, a vaidade, a sabedoria, o amor e outros sentimentos habitavam uma pequena ilha. Certo dia, foram avisados que essa ilha seria inundada.

Preocupado, o amor cuidou para que todos os outros se salvassem, falando:

Fujam todos, a ilha vai ser inundada.

Todos se apressaram a pegar seu barquinho para se abrigar em um morro bem alto, no continente. Só o amor não teve pressa. Quando percebeu que ia se afogar, correu a pedir ajuda.

Para a riqueza apavorada, ele pediu: Riqueza, leve-me com você.

Ao que ela respondeu: Não posso, meu barco está cheio de ouro e prata e não tem lugar para você.

Passou então a vaidade e ele disse: Dona Vaidade, leve-me com você...

Sinto muito, mas você vai sujar meu barco.

Em seguida, veio a tristeza e o amor suplicou: Senhora Tristeza, posso ir com você?

Amor, estou tão triste que prefiro ir sozinha.

Passou a alegria, mas se encontrava tão alegre que nem ouviu o amor chamar por ela.

Então passou um barquinho, onde remava um senhor idoso, e ele disse:

Sobe, amor, que eu te levo.

O amor ficou tão feliz, que até se esqueceu de perguntar o nome do velhinho.

Chegando ao morro alto, onde já estavam os outros sentimentos, ele perguntou à sabedoria:

Dona Sabedoria, quem era o senhor que me amparou?

Ela respondeu: O tempo.

O tempo? Mas por que ele me trouxe aqui?

Porque só o tempo é capaz de ajudar e entender um grande amor.